Preciso de cabine para tradução simultânea?

Esta página existe porque quase toda primeira conversa começa nas mesmas seis dúvidas. As respostas são honestas, inclusive quando a resposta é “nesse caso você precisa de cabine e isso encarece”.

Qual a diferença entre tradução simultânea e consecutiva?

Na simultânea, o intérprete traduz enquanto o orador fala, com poucos segundos de atraso. O evento dura o que estava previsto para durar. Exige equipamento: cabine ou sistema portátil.

Na consecutiva, o orador fala um trecho e faz uma pausa para o intérprete traduzir. Não exige equipamento nenhum, mas dobra a duração de tudo. Uma reunião de duas horas vira quatro.

A escolha quase sempre se resolve por duas perguntas: a agenda pode dobrar de tamanho, e quantas pessoas precisam ouvir. Se a resposta for “não pode dobrar” ou “mais de duas pessoas”, é simultânea.

Um detalhe de vocabulário: no Brasil quase todo mundo diz tradução simultânea. O termo técnico é interpretação simultânea — tradução é escrita, interpretação é oral. Ninguém vai corrigir você, mas se encontrar os dois termos por aí, são a mesma coisa.

Quando eu preciso de cabine e quando não preciso?

A pergunta real por trás dessa é: o intérprete pode falar em voz audível dentro da sala?

Você não precisa de cabine quando:

  • o grupo tem até 30 pessoas ouvindo tradução;
  • a sala já tem ruído próprio (planta, obra, deslocamento) ou é uma reunião pequena;
  • o grupo se move entre ambientes.

Nesses casos o sistema portátil resolve, e resolve mais barato — sem montagem, sem técnico, sem diária de equipamento pesado.

Você precisa de cabine quando:

  • o formato é auditório com palco e sonorização;
  • há mais de 30 pessoas ouvindo tradução;
  • a sala é silenciosa e cheia, e uma voz contínua ao fundo incomodaria;
  • o evento tem três ou mais idiomas rodando ao mesmo tempo.

A cabine isola o intérprete acusticamente. É isso que ela faz e é por isso que ela custa mais: ela envolve estrutura física, mesa de som, técnico e receptores em quantidade.

Se o seu caso é o segundo, nós dizemos isso no orçamento e contratamos o equipamento — não empurramos o portátil para um formato que ele não atende.

Por que vocês sempre orçam dois intérpretes?

Porque é a prática padrão da profissão, e não um acréscimo comercial.

Interpretação simultânea exige atenção sustentada em um nível que não se mantém sozinho. Depois de vinte a trinta minutos contínuos, a qualidade cai de forma mensurável — aumentam as omissões, os números saem trocados, a construção das frases fica mais pobre. Isso acontece com qualquer intérprete, inclusive com os muito bons.

Por isso a dupla se reveza em turnos curtos. E o intérprete que está “de folga” não está parado: ele anota números, nomes próprios e termos técnicos para o colega que está no ar.

A exceção: eventos de até uma hora, sem sequência, podem ser feitos por um intérprete só. Se o seu caso for esse, nós mesmos vamos sugerir — é mais barato para você e não compromete o resultado.

Se alguém orçar uma jornada inteira com um intérprete só, o preço será menor. A segunda metade do dia é que não será.

Quantos receptores eu preciso?

Um para cada pessoa que não entende o idioma do orador. Não é o total de participantes do evento.

Esse é o erro de contagem mais comum. Num evento de 80 pessoas em que apenas 12 são estrangeiras, você precisa de 12 receptores, não de 80.

Duas recomendações práticas:

  • Peça duas ou três unidades a mais do que a conta exata. Sempre aparece alguém que decidiu na hora que quer acompanhar pelo fone.
  • Conte separadamente por idioma. Se o evento tem inglês e espanhol, são dois grupos distintos de ouvintes e possivelmente dois canais.

Temos 30 receptores próprios. Até esse número, o equipamento é nosso e não há locação no orçamento. Acima disso, alugamos a diferença e ela aparece discriminada.

A sala precisa de áudio especial?

Depende do formato, e a resposta muda bastante.

Sistema portátil: não precisa de nada. O intérprete tem o próprio transmissor. Se a sala já tem microfone e caixa para o orador, ótimo, mas não é requisito.

Cabine: sim, e é o item que mais surpreende quem contrata pela primeira vez. A cabine precisa receber o áudio da mesa de som da sala — não adianta o intérprete escutar pelo ar. Isso significa que o evento precisa ter sonorização com uma saída dedicada para a interpretação, e um técnico que saiba entregá-la.

Evento remoto: o requisito sai da sala e vai para o microfone de cada orador. É o ponto mais crítico dos três, e o mais barato de resolver: um headset simples em quem fala resolve quase tudo.

Em qualquer um dos três casos, vale um teste rápido antes do dia. Vinte minutos de ensaio técnico evitam a maior parte dos problemas que aparecem no meio do evento.

Do que depende o orçamento?

De cinco coisas, em ordem de peso:

  1. A data. Disponibilidade decide tudo. Data confirmada com antecedência costuma sair melhor do que data em cima da hora, e em temporada de congresso as agendas fecham cedo.
  2. A duração. Meio período, período integral ou vários dias. A diária de intérprete é a unidade padrão do mercado.
  3. O formato da sala. É o que define se entra equipamento portátil (nosso, sem locação) ou cabine (locação, técnico, montagem). É a maior variação de preço entre dois eventos de mesma duração.
  4. Quantas pessoas vão ouvir tradução. Até 30, o equipamento é nosso. Acima, entra locação de receptores.
  5. Quantos pares de idiomas. Cada par adicional é uma dupla adicional de intérpretes.

Fora isso: deslocamento e hospedagem, quando o evento é fora da Região Metropolitana do Recife.

Não publicamos tabela porque a combinação dessas cinco variáveis muda o número com facilidade. O formulário de orçamento pergunta exatamente esses pontos, e com eles respondidos a primeira resposta já vem com um número.